Política…

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Pra não dizerem por aí que esse blog só fala de abobrinhas (antes abobrinhas e morangos do que pepinos, não? :), vamos falar de algo assim, meio político:
Como 99% dos leitores desse blog votaram em Lula, que eu sei, queria saber o que estão achando do atual governo. Eu tô contrariado, minhas faturas do cartão de crédito estão estratosféricas, as contas de telefone idem, água e luz idem, e eu acho que a culpa é do Lula. Até o preço da torta de chocolate na lanchonete do Seu Mário aumentou. Culpa do Lula. Acho, inclusive, que, dessa vez, meu boicote à coca-cola vai ser por causa do preço!!! Gente, o pão francês (que os soteropolitanos, talvez por influência de algum baitola chamam de cacetinho) tá custando 20 centavos!!! Quase nada custa menos de 1 real!!! O que é que tá pegando??? 6 já notaram isso e eu acordei tarde demais, ou que foi??

Autor: oculos

the guy who writes here... :D

11 Comments

  1. Calma. Tá todo mundo revoltado com Lula e sua turma, não é só você. Mas eu não voltei nele e ainda vou fazer uma camisa com uma estrela vermelha grande e os dizeres dentro dela: “Eu não voltei nele”. (lembra de Collor?)
    Quer ficar com mais raiva? Leia a coluna do Diogo Mainardi toda semana na Veja. Ele espinafra Lula quase sempre, e ele tá com razão sempre. Pegue o exemplo dos discursos dele: além de falar como um capiau, nosso presidente diz umas coisas e o governo não faz, ou faz outras. Mais: Lula se queixa que os intelectuais se aposentam com 53 anos e os cortadores de cana com 60, mas ele se aposentou com 50. Com vantagens extras. Segundo Mainardi, resta saber o que é um intelectual pra Lula – se um petitsta da USP ou qualquer pessoa com o segundo grau completo. :o)
    Mas, voltando ao que interessa: se a situação econômica tá assim, é pq Lula & cia. estão fazendo o mesmo jogo do governo passado: o da negligência, subserviência, malemolência, etc.
    Um abraço, causídico. E bola pra frente. O blog tá massa!
    :o)

  2. Meu jovem, calma… 🙂 Veja, eu votei no Lula, e tal, e ainda não estou arrependido… Agora, decepcionado, já estou ficando…

    Mas, convenhamos, o Diogo Mainardi é o fim da picada: preconceituoso, reacionário, maldoso e meio “macaquito”, do tipo que diz que bom é o que é feito lá fora. Deixei de ler a coluna dele faz algum tempo, porque crítica irresponsável, por crítica, apenas para criar polêmica, não me parece nada enriquecedor. E tenho dito! 🙂

  3. Deixa de onda… o objetivo de Mainardi não é polemizar, é dizer a verdade mesmo. Tá certo que ele polemizou desnecessariamente quando falou mal da Bahia, mas quando ele fala sobre Lula, Gilberto Gil e outros, ele tem razão sim.
    Eu acho Lula uma piada. E TENHO DITO!
    :o)

  4. É, se você gosta de falastrões, que não tem respeito pelas pessoas, que desprezam a tudo e a todos, que parecem ter nojo de tudo o que é humano, que é, enfim, metido a besta, e, pior de tudo, ainda levar esse tipo de pessoas a sério achando que o que eles falam é verdade, é, desculpa, mas então temos opiniões muito divergentes mesmo. É questão de (mau) gosto mesmo… 🙂

    Já o Lula ser piada, é questão de desprezar o que muita gente gabaritada acha, e eu não iria tão longe assim, embora concorde que o governo não está essas coca-cola toda não… 🙂

  5. Poxa meu jovem Francinho, concordo em genero, numero e grau com suas observacoes. E TENHO DITO! Ora bolas… 🙂

  6. Falando nisso, meu jovem amigo Zebrao, quando testaremos a bagaça do ichat???
    :))

  7. A VOZ DA ELITE
    Ressentimento premiado
    Samir Thomaz (*)
    O jornalista Cláudio Abramo costumava dizer que o Brasil é um país de canalhas. Referia-se, obviamente, a essa “veneranda” elite que temos, que há 500 anos chafurda no cinismo e na hipocrisia, sob os auspícios da ideologia de plantão e do reacionarismo de uma Igreja que agora sofre a concorrência dos evangélicos neopentecostais para ver quem dá o passo mais retrógrado. Isto sem falar nos militares, que depois de terem sido feitos de soldadinhos de chumbo pela Inglaterra na Guerra do Paraguai, na já longínqua década de 60 do século 19, sempre deram o ar da graça no cenário político – no momento, permanecem ocultos, a eterna ameaça potencial.
    Essa santíssima trindade da cena brasileira – o establishment econômico-político, a religião e os militares –, quando consubstanciada na camada espírito de porco da sociedade brasileira, sempre teve seus arautos. E, naturalmente, a mídia, espaço por definição de debate público e expressão de idéias, para o bem e para o mal, constitui o meio em que vicejam esses porta-vozes do poder estabelecido, seja ele visível ou invisível.
    Há coisa de 15 anos, Paulo Francis era o representante do conservadorismo hediondo mais em evidência na mídia nacional. Escritor mediano, ex-trotskista, Francis escrevia de Nova York e tinha à disposição uma página inteira no caderno Ilustrada da Folha de S.Paulo, de onde provocava a antipatia da esquerda e fazia raiva a leitores mais esclarecidos. Seu esporte preferido era pegar no pé do PT, acirrar polêmicas e espezinhar negros, homossexuais e nordestinos – o que o fazia campeão de cartas à redação da Folha. Exponho aqui duas pérolas suas, só para molhar o bico dos que não o conheceram: “A descoberta do clarinete por Mozart foi uma contribuição maior do que toda a África nos deu até hoje”. Ou: “A função das universidades é criar elites, e não dar diplomas a pés-rapados”. Também fazia aparições no Jornal da Globo, mas ali pegava mais leve, apenas esmerando-se em cultivar seu estilo histriônico, uma espécie de contraponto cômico ao reaça que ele se revelava no texto impresso.
    Manhattan Connection
    Atualmente, o vassalo de plantão mais visível do pensamento reacionário atende pelo nome de Diogo Mainardi e escreve semanalmente na revista Veja – o vade-mécum da elite brasileira e de uma certa classe média, adepta do alpinismo social a qualquer preço. Antes de Veneza, e agora do Rio de Janeiro, ele destila seu veneno contra Lula e o PT, é partidário da polêmica pela polêmica, não disfarça que sente ojeriza por tudo o que diz respeito ao Brasil e aos brasileiros e é o campeão de cartas que chegam à redação de Veja. Imagino que muitas dessas cartas sejam contra o que ele escreve, porém nunca vi publicada uma que fosse contra. As que saem na seção de cartas são sempre a favor, não raro o alçando à condição de polemista e articulista incomparável, genial, lindo, maravilhoso, entre outras heresias. Esta semana, por exemplo, ele escreveu que os filhos dos pobres no Brasil “aprenderiam muito mais se ficassem o dia inteiro assistindo Scooby-Doo na televisão” e que “os pobres deveriam ser pagos para manter seus filhos em casa”.
    O que Paulo Francis e Diogo Mainardi têm em comum? A julgar pelo início de suas carreiras, pouca coisa. Paulo Francis abriu seu caminho com o próprio punho, à custa de um inegável talento. Diogo Mainardi também tem seu quinhão de talento, mas se valeu e muito da comodidade de ser filho do publicitário Ênio Mainardi, que lhe deve ter aberto muitas portas. Nosso articulista também se arvora a ficcionista, mas ainda não alçou grandes vôos. E, se publica pela Companhia das Letras, para nós, que sabemos como as coisas funcionam no Brasil, fica sempre a impressão de que também ali pode ter pesado o dedo de papai Ênio. O tempo dirá.
    Como cineasta, Diogo Mainardi tem experimentado algumas decepções. Pelo menos foi o que se depreendeu de um de seus artigos, em tom melancólico, reclamando da má acolhida que a crítica dedicou a um de seus filmes, feito em parceria com o irmão Vinícius. Parece que papai não pôde fazer muita coisa nesse caso. Mesmo com Vinícius tendo afirmado em entrevista que ele e Diogo tentaram “resgatar a gramática básica do cinema, estilo John Ford, sem qualquer movimento de câmera, truques ou malabarismos, opção estética que reforça a temática do filme”. Detalhe interessante: nos releases do filme é realçado o fato de que a obra foi feita “com recursos próprios” em sociedade com João Paulo Diniz (!).
    Mas estou me desviando do assunto.
    De resto, Francis e Mainardi têm muito a ver, embora o segundo não reúna, até pela diferença de idade, metade da cultura que tinha o primeiro. O que me chama a atenção no caso de Diogo Mainardi, e já chamava no caso de Paulo Francis, é como o preconceito, se não de fato, pelo menos aparente, serve de trampolim para jornalistas ascenderem na carreira. Mainardi acabou de assinar contrato como comentarista do Manhattan Connection, glamouroso programa exibido aos domingos pelo GNT. Vai substituir, ora veja, Arnaldo Jabor. Logo Jabor, que esbanja indignação e dignidade, e cuja ética às vezes se sobrepõe à formatação asséptica que se exige dos articulistas em vídeo ou na imprensa escrita.
    Produção de bílis
    O que sobra em Jabor falta em Mainardi: perplexidade eivada de ética. Diogo Mainardi também vive perplexo, basta ler sua coluna semanal em Veja. Mas a impressão que fica é que aquele jogo de palavras muitas vezes fora de contexto não passa de uma saborosa diversão para ele, que se diverte com a desgraça diária do povo brasileiro. Existe um certo sadismo em sua voz. Diferente de um Elio Gaspari quando se refere ao povo como “patuléia” ou ao Brasil como “pindorama”. Em Gaspari sobressai a compaixão; em Mainardi, um ódio mal dissimulado.
    Quando ironiza um show de Gilberto Gil na Favela da Rocinha, nosso oriundi fustiga de uma sentada a miséria, a negritude e a música brasileiras, três aspectos compósitos de nossa realidade, colocando-as no mesmo saco e conferindo-lhes um caráter de causa e efeito. Quando desdenha a linguagem de Lula está desdenhando o próprio povo brasileiro em suas nuanças lingüísticas. Quando zomba do diploma do Senai de nosso presidente está troçando de uma instituição de que se valem muitos jovens para alcançar um nível mais condigno de vida. Diogo Mainardi certamente não sabe o que é isso. Nunca deve ter precisado freqüentar uma escola do Senai na vida. Papai sempre proveu tudo.
    Enfim, poderia citar outros exemplos, mas é melhor parar por aqui. Sua página semanal já basta para aumentar nossa produção de bílis. E agora teremos de vê-lo ao vivo e em cores semanalmente no Manhattan Connection, entornando seu ressentimento por ter nascido brasileiro. De uma coisa, porém, não podemos acusar nosso enfant terrible: de não ser coerente com o que pensam seus pares bem-nascidos. Ele serve de fio condutor na mídia dos preconceitos e do desprezo que nossa elite nunca disfarçou sentir pela rafaméia. Nada contra. Ele é o que é, não há muito o que fazer. O que incomoda é vê-lo premiado por isso.

  8. zeze:

    Fantástico. O artigo realmente diz quase tudo o que pode ser dito a respeito. Muito obrigado por tê-lo postado.

  9. Mainardi pode representar aquele montão de picaretas que têm tudo pelo que a esmagadora maioria vai morrer batalhando prá conseguir e não vai alcançar. Esses que chafurdam nas sobras que os amigos, aliados e até inimigos de Mainardi e companhia atiram ao lixo. Aqueles para os quais o venerado, por uns, Lula fez muitas promessas e faz agora esperar, com a máxima: “O Brasil está crescendo!!!” Sem julgar Lula e sua turma, reflita apenas onde esse crescimento aparece na sua própria vida. Onde? No crescente reajuste das tarifas públicas? no valor das mensalidades da sua faculdade? ou da faculdade do seu filho? Na mixaria que representa o seu soldo? Na prestação altíssima do carrinho vagabundo que você comprou e quase lhe custa refeições a menos, a menos.
    Votei em Lula, me enganei. Foi a minha última tentativa de acreditar em político. Vote nulo!!!!! Fora PT!!!
    Como justifico?
    O Amado Lula, ou recebeu sérias ameaças prá se manter na linha e obedecer, ou está precisando, cada vez mais, de espaço na sua conta corrente, provavelmente longe das fronteiras do Brasil.
    Prá ele e sua turma, portanto, o Brasil está crescendo. Qualquer que seja a alternativa escolhida acima, eles não terão os problemas que os eleitores enfrentam no dia a dia.
    E não me venham defender o Sr. Gilberto Gil. Como artista sua obra espelha incoerência. De Procissão a Realce? E shows na Favela, assumindo o oportunismo/populismo do seu companheiro Caetano? E na posição de Ministro da Cultura andar dizendo por aí dizendo que a Universidade Pública deve buscar o apoio da iniciativa privada? Piada, eh, eh, eh!!!
    A iniciativa privada cria suas próprias faculdades, que se transformam em universidades, sem pesquisa representativa, e recebem verbas do Estado (vejam a Reforma Universitária).
    Ah, existem boas notícias: Agora é obrigatório a aceitação de um percentual de negros, e pobres na Universidade. O negro e/ou pobre que chega aos bancos da Universidade e sai com uma boa formação é uma pessoa rara e especial, visto que a maioria deles traz educação fudamental tão deplorável que não passará de um profissional mediano, se tanto. Sem mencionar que esses estudantes vão estar diante de professores, a maioria, que se entende branca, ainda que sejam mestiços, como uma ideologia e postura que representa nda menos que uma cópia da atitude ariana, ou no mínimo, bretã e até irlandesa. Imagine um pobre/negro ter diante de si um professor como Mercadante? O que ele entende de negritude, de suor, de Olodum, de Teatro Vila Velha?
    Vote certo, vote em Vovô para Professor!!!

    Ufa!!!

    Viva o Brasil.

    José

  10. Caro José,

    Concordo contigo em quase tudo. Porém, talvez por uma ingenuidade devida à minha origem interiorana, fico me perguntando a real causa do fracasso do governo Lula.

    Será porque os ideólogos de esquerda finalmente tiveram espaço para testar suas teses, quando a realidade do dia-a-dia não se encaixa em tubos de ensaio?

    Será que a realidade que herdou o Lula era assim tão amarrada aos entraves para o tal do crescimento, que não lhe restou alternativa?

    Será que existem alternativas?

    Será que o problema do governo é técnico (falta de pessoal competente administrativamente) ou será que a coisa é realmente intencional?

    Enfim, não é que eu me sinta propriamente traído por esse governo. Mas me sinto decepcionado porque, se não esperava ruptura, ou mudanças drásticas, esperava pelo menos mudanças de postura. Não esperava um José Dirceu comparando o Ministério Público à Gestapo. Não esperava essa ortodoxia econômica (mas aí pode ser um problema da minha ingenuidade interiorana, já mencionada, que talvez me impeça de perceber que Governo é coisa complexa, intrincada, pesada de dirigir, etc.).

    Será que Governo é tão pesado que não se pode mudar seu rumo com facilidade?

    Enfim, não tenho respostas para essas perguntas, nem me atrevo a respondê-las. Sei que o modelo que prega revolução não me parece apetecível nos dias de hoje. Sei que o neoliberalismo não está a privilegiar a justa distribuição de riqueza. Qual, então, é o caminho que deveremos advogar? PSTU? Heloísa Helena?

    Caramba, pobres de nós, sem alternativa decente e com um debate político tão vazio quanto preocupante.

  11. O que mais chama a atenção, das mensagens e discussões quando nós da pequena burguesia e da classe média fala do governo Lula e esta tentação meio “Diogo Mainardi” de não conseguir ver “nada”, mas “nada” mesmo de bom neste governo. Parece que não se lembram que o FHC quebrou o país quatro vezes (fomos ao FMI QUATRO vezes), que segundo dados de instituições não-governamentais, pela primeira vez em década a miséria do Brasil decresceu, que acabaram-se as privatizações em todos os níveis, que o pessoal que reclama que a mensalidade do filho aumentou (naquela faculdade privada que ele conseguiu passar) – e que a culpa é do Lula (?!) não sabe que este mesmo Lula criou 14 Universidades Federais em 06 anos, contra nenhuma – zero – dos oitos de FHC….enfim, poderia inumerar diversos aspectos positivos destes seis anos, assim como também poderia enumerar outros negativos, mas, parece que o povo possui a sindrome “Mainardi” e só consegue enxergar alguns poucos palmos do umbigo, a diferença é que Mainardi ao menos é pago prá isso, quanto ao resto do povo…

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