Polícia

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Não sei não, mas acho que, no futuro, vamos ter que contratar bandidos para a proteção da sociedade.

Esse artigo aqui diz tudo. Infelizmente, criou-se uma cultura e um pensamento único dentro das fileiras dos policiais: quem critica o trabalho da polícia, ou melhor, a violência por ela perpetrada, o chamado “pessoal dos Direitos Humanos” (acreditem, é assim que falam), é porque não entende os riscos que correm, é porque não foi vítima de bandido, etc. E com esse mantra vão batendo, espancando, apoiando uns aos outros em suas campanhas pessoais de violência e arbitrariedade.

O caso do Prof. Eduardo Viana diz tudo: o prof., advogado, ao tentar acompanhar um segurança vítima de agressão policial, foi também preso. E tudo por que? Porque um policial tentou entrar em uma festa sem pagar, tentou entrar armado, foi impedido de fazê-lo, entrou assim mesmo (deixando a arma de fora), embriagou-se, agrediu pessoas, foi impedido pelo segurança, chamou seus coleguinhas que deveriam estar cumprindo com seu dever e não fazerem papel de gang, e todos prenderam o segurança e o advogado. E a culpa é do “pessoal dos Direitos Humanos”. O policial, com o dinheiro dos nossos impostos, torna-se membro de uma gang. Em vez de protegerem a sociedade, protegem-se dela – protegem-se da transparência, da ética, do dever da farda. A farda não é mais o distintivo de um organismo público, mas de uma facção criminosa como outra qualquer.

E o Prof. Eduardo Viana, bem como o Pres. da OAB/VC, têm seus carros danificados por marginais. Duas vezes.

O trabalho policial é duro. Como é o de muita gente – desde um médico plantonista a um gari. No entanto, a proteção a colegas marginais, a suposta pretensão de “eu-sou-autoridade-portanto-saia-do-meu-caminho” ou “fique-quieto-ou-lhe-prendo-por-desacato”, falácias, mas motes dessas pessoas, são comuns e não questionadas pela sociedade. Até quando?

Autor: oculos

the guy who writes here... :D

2 Comments

  1. Achei o texto bem pertinente. Concordo que não temos outro caminho senão cobrar das autoridades publicidade nos resultados das sindicâncias. Se há bons policiais nas corporações, que eles tomem as rédeas das investigações sobre abusos e que façam processos isentos de corporativismo.

    Há, porém, no texto, um deslize. Quando diz: “[…] em uma cidade onde até mesmo um advogado, representante dos Direitos Humanos […]”, faz parecer que este cidadão tem alguma característica que o torna melhor ou mais especial que os outros. A indignação com o caso não precisa destacar a qualificação profissional ou representativa de ninguém. Todos somos iguais e todos merecemos igual respeito da polícia e igual indignação de nossos pares, quando somos agredidos.

    No mais, acredito na capacidade de mobilização da sociedade, especialmente das instituições que nos representam, como os vereadores, OAB etc., para que estes comportamentos possam ser restringidos no futuro. Estou ficando com medo da polícia…

  2. Marcelo,

    Obrigado pelo seu comentário!

    Mas não se trata de deslize. Embora todos sejam iguais perante a lei, e todos merecem tratamento respeitoso da Polícia, a figura do advogado, nesse particular, merece destaque pelas seguintes razões:

    1 – O advogado tem prerrogativas especiais em relação à sua prisão;
    2 – O advogado é quem, por força de lei, maneja o aparelho judicial para conter abusos, inclusive da polícia. É ele que vai defender o injustiçado pela violência policial. Se sua figura é violada, há um sintoma ainda maior de como a coisa está podre. É o advogado que está em contato o tempo todo com esse sistema, e quando sua figura resta desrespeitada, é o sistema todo que está falindo.
    3 – O Estado é mediador do conflito privado. E a quem cabe verificar se essa mediação está sendo feita de maneira correta? Ao advogado.

    Por isso, longe de que minha indignação seja maior porque se tratou de um advogado. Mas, sem dúvida, é ainda mais sintomático que um advogado, por suas prerrogativas e função social, seja vítima de violência policial, PRINCIPALMENTE quando está no exercício de sua profissão.

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