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  1. Como diz o Millor, “eu confio no Lula até certo ponto. O ponto de interrogação.” :o))

  2. O fabuloso preceito real
    por Carlos Frederico Bomeisel em 08 de dezembro de 2006

    Resumo: Uma fábula para ajudar a explicar como funcionam, num certo país, as relações de trabalho, produtividade e impostos.

    © 2006 MidiaSemMascara.org

    Era uma vez, um reino muito distante e próspero, repleto de riquezas minerais e vegetais, sem ocorrência de acidentes naturais, dotado de clima ameno e aragem límpida. O rei tinha apenas uma preocupação: o bem-estar do seu povo. Como nada lhes faltava, o rei queria muito que a vida do seu povo honesto e trabalhador fosse mais tranqüila e que houvesse mais tempo para o amor, o lazer, os esportes e as artes.

    O rei achava que o povo trabalhava demais e que merecia total dedicação ao aproveitamento daquela mirífica e fecunda nação. Este espírito assistencialista fez com que o rei passasse a recolher compulsoriamente aos cofres do reino uma parcela dos salários dos aprendizes das oficinas e uma parcela maior dos artesãos, a fim de se criar um fundo para que posteriormente os aprendizes pudessem descansar. Foi uma medida de esplêndida altivez do rei porém, o efeito ainda não era satisfatório.

    O rei ainda estava muito aborrecido, pois o seu povo continuava trabalhando demais. Com a finalidade de continuar com o seu plano auspicioso, o rei passou então a cobrar dos artesãos mais impostos sobre a mão-de-obra agregada aos produtos, desta forma penalizando, merecidamente, aqueles que insistiam em obrigar o seu benquisto povo a trabalhar. Portanto, qualquer insumo adquirido ou serviço prestado por outros artesãos podiam ser creditados, reduzindo-se a quantidade de imposto pago, porém o custo da mão-de-obra era totalmente inserida no cálculo do imposto a pagar. Quanto maior a quantidade de aprendizes trabalhando nas oficinas, maior deveria ser o imposto. Passados alguns anos o rei percebeu a extensão daquelas suas medidas. O rei chamou esta maravilha econômica de “Ciclo Virtuoso”.

    E quis explicar o porquê.

    Imediatamente o povo foi convocado e o rei anunciou com grande orgulho, o resultado amplamente positivo que o seu “ciclo” havia gerado. A lógica era muito simples. Cada vez que um artesão dispusesse de certa quantidade de dinheiro para investir em seus produtos, ao invés de produzir 100 artefatos, ele poderia apenas produzir 50 artefatos, devido ao aumento ocorrido no custo da mão-de-obra que aquele povo humildemente produzia.

    Este magnífico resultado fazia com que o artesão necessitasse de apenas a metade dos aprendizes para atingir a sua capacidade produtiva. Portanto, o rei estava mantendo o valor arrecadado pelos cofres do reino, com apenas a metade do povo trabalhando. Esta macróbia sapiência do rei levou-o então, a criar o que se chamou de “Bornoz Progênie”.

    O rei passou então a fornecer aos cidadãos sem trabalho, o bornoz com mantimentos básicos. Desta forma o seu povo podia ficar em casa sem trabalhar. Porém, o grande êxito deste plano era a necessidade de dinheiro para a compra dos produtos do Bornoz. Este dinheiro somente poderia vir arrecadando-se mais impostos.

    Os artesãos viam-se obrigados novamente a aumentar os preços dos seus produtos, para pagar os impostos, diminuindo-se também, desta forma, a capacidade de investimentos, reduzindo-se a produção, com conseqüente diminuição do número de trabalhadores.

    Por esta razão, este plano foi denominado de “Ciclo Virtuoso” uma vez que, sempre que se aumentasse a necessidade de compra de mantimentos, para atender a população beneficiada pelo plano, aumentavam-se os tributos que por sua vez, reduziam a capacidade de investimento dos artesãos, reduzindo-se a necessidade de mão-de-obra com conseqüente aumento de pessoas beneficiadas pelo grandioso plano e assim por diante.

    Até os poucos oposicionistas do rei apoiavam tal medida, inserindo este plano em seus programas de governo. Esta era uma equação matematicamente perfeita! A população amava o seu rei! A necessidade de trabalho tendia a zero!

    O plano ia de vento em popa e o rei não via a hora em que não houvesse mais necessidade de se trabalhar. Súbito, ocorreu o Grande Imprevisto. Algo impossível, não previsto pelo rei, pelos seus auxiliares econômicos e pelos seus diminutos oposicionistas. Neste dia, o único artesão que sobreviveu com sua oficina aberta, percebeu que tinha dinheiro apenas para produzir uma única unidade de seu produto. Para tal tarefa, não era necessária a presença de seu único aprendiz, que foi dispensado.

    Ao término das funções fabris, o artefato ficou pronto. Não houve habitante do reino com capacidade financeira para comprar o produto. O rei chegou e cobrou os impostos do artesão, único contribuinte do reino, com o intuito de pagar as 170 milhões de pessoas participantes do programa “Bornoz Progênie”. O artesão argumentou que não havia imposto a pagar, uma vez que não houve venda de produto. O rei inconformado exigiu pagamento antecipado dos tributos devidos, relativos aos artefatos a serem vendidos futuramente. Não havia como. Não havia dinheiro. O rei furibundo, confiscou o artefato, a oficina, ferramentas, carroças e bois do artesão.

    Houve um leilão, sem que ao menos o lance mínimo fosse dado para qualquer um dos bens a serem leiloados. O povo faminto, o rei e seus assessores revoltaram-se contra o artesão que se recusava a pagar os tributos. O artesão foi enforcado naquela tarde. Milhões morriam diariamente…

    Alguns milênios depois, ruínas deste reino foram encontradas numa expedição arqueológica. Pergaminhos foram descobertos intactos, relatando o ocorrido no reino. Todos haviam morrido em menos de uma semana. O artesão era o culpado! Muito óbvio. Os membros daquela expedição levaram os documentos aos principais regentes daquele mundo. Chegaram à conclusão de que eles correriam o mesmo risco, pois os artesãos viviam reclamando e estes abutres poderiam muito bem fazer o mesmo com eles. Portanto, não havia alternativa. Todos deveriam trabalhar. Desta forma não haveria a necessidade do assistencialismo, pois todos receberiam o suficiente para o sustento de suas famílias.

    Passaram a adotar tais medidas e foram obrigados a desonerar a mão-de-obra, reduzindo-se os custos dos produtos e conseqüentemente reduzindo-se os impostos. Incompreensivelmente, os reinos passaram a receber muito mais dinheiro do que anteriormente, apesar da drástica redução dos impostos. A mão de obra passou a ser valorizada. A cada emprego gerado, as oficinas tinham o direito de reduzir ainda mais o recolhimento dos tributos. Aquele mundo inteiro prosperou e as receitas não paravam de aumentar e ninguém entendia porquê.

    E o grande vilão desta fábula, aquele último artesão, jamais deixou de ser execrado por todos os habitantes. E esta mesma população venerou aquele antigo rei, que lhes ensinou o caminho da felicidade naquele mundo harmonioso em que todos viveram felizes para sempre.

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