Gláucia: sejamos melhores

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Ontem publiquei um post a respeito de como se despreza o rigor científico e se privilegia o próprio taco. Eis que recebi o comentário abaixo:

Gláucia, isso não se faz…

A autora, Gláucia Silvano, na crença de que isso aqui é algum tipo de espaço público onde ela acredita ser desnecessário ser educada ao interagir com os outros, comentou o post nos termos acima.

Se eu estivesse no Brasil, abriria um processo judicial, porque eu acho que é divertido ver as pessoas colocarem o rabo entre as pernas quando percebem que o mundo civilizado não tolera o comportamento animalesco de sair xingando estranhos, ainda mais quando o estranho em questão – este nada notável blogueiro – publicou um texto inofensivo.

Mas, na crença em um mundo melhor, apesar de tudo indicar que não há fundo nesse poço, narro uma certa experiência que a vida me proporcionou e ofereço à Gláucia uma escolha, como verão:

Eu sou pai de uma criança maravilhosa, e essa condição me dá certa vergonha de tudo o que é imperfeito em mim. Eu não quero transmitir à minha filha nada de ruim, nem nada que acabe por lhe impor meu modo de ver o mundo, porque na vida tenho mais dúvidas que certezas. Assim, apesar de “esquerdopata” – nisso a Gláucia pode lá ter razão – não penso em doutrinar a minha filha. Nem sobre religião, apesar de cristão que sou. Nem sobre meu gosto musical, horrível. Não espero que a minha filha tenha orgulho de mim, mas se não tiver vergonha, já me darei por satisfeito.

Meu vocabulário nunca foi dos melhores, mas agora tenho preocupação ainda maior. Palavrões, nem mesmo depois de uma topada. Tenho uma pequena que está atenta a tudo que faço, e não quero que ela aprenda palavrões. Quero que a minha pequena, de mim, tenha só bons exemplos.

Gláucia: não te conheço. Não sei se tem filhos, não sei sua profissão, nem como é sua vida. Mas se me permite: antes de ir pro inferno, que é pra onde gente como você deve naturalmente acabar indo, reflita. Quer que seus filhos tenham uma mãe que tem coragem de, em público, dizer tanta sujeira a um desconhecido apenas porque não gostou do que ele escreve ou, pior ainda, porque politicamente pensa de forma divergente à sua? Gostaria que seus vizinhos soubessem disso? Se tiver patrão, é algo que contaria a eles com orgulho? Diria isso em uma igreja? Em uma entrevista de emprego?

De repente você poderá responder a sim a todas essas perguntas, e aí será um caso perdido. Mas se, após ter refletido e tiver achado que pisou na bola, peça desculpas que retiro esse post. Eu acredito que todos nós podemos errar no calor das emoções, e o perdão é uma virtude que preciso mesmo praticar.

Mas caso queira manter a ofensa, então deixo ela aqui, imortalizada, acessível via Google a todos que quiserem saber como se comporta a Gláucia Silvano do estado de Pernambuco. Aqui poderão seus filhos, infelizmente, ao eventualmente pesquisarem sobre sua mãe, ver com que falta de educação ela rosna perante os outros. Aqui poderá um futuro chefe seu ver como você potencialmente poderia tratar um cliente. O Google não esquece, Gláucia.

Um dia pode ser que minha filhinha veja essa ofensa. É o lado ruim disso. Às vezes, ao ofender alguém, esquece-se que esse alguém tem família, amigos, colegas e chefes. É um constrangimento desnecessário. Tanto pra você, Gláucia, quanto pra mim. Talvez você não se sinta constrangida, talvez esse seja o seu normal, e talvez você opte por alimentar isso ainda mais. A mim me constrange esse tipo de linguagem em público. Em público não digo nada que não diria na frente de minha filhinha.

Mas meu conselho a você é: peça desculpas. Devemos isso a nossos filhos. Devemos lutar contra esse lobo raivoso que existe dentro de nós e oferecer a eles, ainda que falsamente, o que nem sempre somos nem temos a dar: bons pais e bons exemplos.

Gláucia, sejamos melhores.

2 Comments

  1. Uma coisa é certa, para onde você for, você melhorará o lugar…
    Então, antes de ir para a Venezuela, dê um pulinho na casa da Gláucia!

  2. E isso amigo.infelismente nosso país Asta infestado de pessoas de caráter duvidoso como essa.

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